11 janeiro 2008

Terapeuta, Psiquiatra ou Pai de Santo?


Sabe aqueles dias em que você se pergunta "n" vezes porque foi que saiu da cama? Meus últimos dias todos têm sido assim. Pelo menos os últimos trinta dias, com certeza. É tanta coisa te chateando, te puxando pra baixo, tirando suas energias que chega uma hora que você simplesmente acha que não vai dar conta.

Ontem eu achei que tinha tudo passado dos limites, que minhas forças haviam realmente se esgotado. Pensei em procurar um psicólogo, mas a última que eu procurei ficou me dando respostas óbvias pra problemas óbvios. E eu que achava que terapia servia pra fomentar idéias pra fazer a gente pensar. Aí pensei em procurar um psiquiatra, mas ele ia me achar a mais normal e saudável das criaturas, apenas passando por uma fase complicada. A situação era tão crítica que até me deu vontade de procurar um pai de santo. Vai que é encosto? Não acredito nestas coisas, mas quando a gente tenta tudo em que acredita e não dá certo, a racionalidade dá lugar à esperança. E a esperança crê que tudo é possível.

Não procurei o pai de santo. Hoje me levantei e fui tomar um banho. Tudo indicava que eu teria, finalmente, good news. Olhei no espelho e bateu aquela vontade súbita de voltar pra cama e começar tudo de novo. Minha filha, como é que você se deixa ficar deste jeito? Como é que você deixa seu cabelo ficar assim, maltratado, seco, sem vida? E esta pele de cadáver? Tudo bem que a situação te desculpa pelo sobrepeso (chocolate libera endorfina, endorfina é sinônimo de orgasmo, orgasmo é prazer infinito, mesmo que por poucos segundos, logo, chocolate dá prazer infinito), mas daí a começar um processo de auto destruição é demais!! Não condiz com a minha pessoa, diria Madame Satã.

Embora o espelho fosse aparentemente solidário, ele não podia resolver meu problema, principalmente porque um compromisso me aguardava às nove da manhã, ou seja, em menos de uma hora e meia. Tomei meu banho, me maquiei e saí linda e saltitante. Maquiagem cura até cara de cadáver, meu bem. Pena que o cabelo não teve jeito. Mas como o meu, mesmo mal cuidado, ainda é melhor que o de muita gente, sublimei esta parte do projeto inconsciente de auto destruição.

E lá fui eu pro meu compromisso. Resolvi, ou melhor, não resolvi as coisas em meia hora, enrolei um tempo e pensei: preciso arrumar alguma coisa pra fazer. Eu não podia voltar pra casa. Depois de um mês em casa, minha faxineira estava quase me abandonando. E hoje é dia de faxina. Ninguém merece fazer faxina com a casa cheia. Quer dizer, comigo em casa. Mas é que quando eu to em casa, parece que tem assim umas vinte pessoas.

Aí tomei a decisão mais sábia dos últimos dias. Ao invés de procurar um psicólogo, um psiquiatra ou um pai de santo, fui pro salão de beleza!! Quer coisa mais libertadora pra uma alma feminina do que uma tarde no salão de beleza? Cortei o cabelo, hidratei, fiz pé e mão, depilação e massagem. Gastei meus últimos (não literalmente, mas quase) tostões voltando a ser (na aparência) o que sempre fui. Além disso, meu ego inflou ao ouvir “como você emagreceu, Lalá!” (eu estive bem mais pesada antes, creiam-me), “Olha como ela está linda!” e mais “outro dia seu marido esteve aqui e a mulherada quase enlouqueceu quando ele falou que estava com pressa porque tinha que passar na floricultura e chegar em casa antes de você porque queria te receber limpinho e cheiroso porque era aniversário de casamento de vocês”.

Saí do salão com a alma lavada. Do que é que eu estava reclamando mesmo? Hein que eu queria não ter nem levantado da cama? Forças acabando? Eu sou um gerador de energia limpa, neném!! Eu sou uma pessoa que ama e é amada!!


Larissa não está nem um pouco Hardt hoje. Está voltando a ver a vida em cores, porque preto e branco só é bom no cinema e no álbum de fotografias!! Ah, e com o cabelo lindo.

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