30 Março 2009

Fora do ar

Não farei novas promessas, nem assumirei compromissos de escrever diariamente.
Mas deixo claro que So Hardt não acabou, nem vai acabar. So estou dando um tempo porque as idéias estão começando a voltar.
Larissa está começando a sentir suas energias de novo e voltará a escrever, podem ter certeza!!

20 Fevereiro 2009

Gato

Estarei de volta em breve. Saturno ainda domina, mas o sol deu as caras. So Hardt permanece hardt, mas mais tranqüila porque sabe que agora o renascer não é assim tão difícil.

Larissa achava que só os gatos tinham sete vidas.

04 Novembro 2008

Versos Íntimos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

Larissa anda Mal do Século demais...



10 Agosto 2008

Vamos Foder o Dia Inteiro?


Vamos ter um filho?
Vamos escolher o nome dele?
Deixa eu te alegrar quando você estiver triste
te ninar quando você estiver cansada!

Vamos foder o dia inteiro?

Deixe eu te fazer uma massagem com creme?
Vamos aprender a tocar piano juntos?

Vamos foder o dia inteiro!

Deixa eu me ajoelhar, Glorinha, e beijar tua mão?
Vamos ser tão felizes, que fiquemos calmos.
Tão calmos, que fiquemos fortes.
Tão fortes, que possamos ajudar todos os nossos amigos que precisarem.

Glorinha, vamos foder o dia inteiro!

Vamos aceitar tudo que o outro é.
Defender tudo que o outro é.
Amar tudo que o outro é.

Vamos foder o dia inteiro!

De Cabral para Glorinha.


Larissa assistiu pela milésima vez Separações do Domingos de Oliveira e quer assistir pela milésima primeira, segunda, terceira... incansavelmente!

05 Julho 2008

Li há muitos anos atrás que o amor não é onipotente, onisciente, não se basta sozinho. Do alto dos meus dezoito anos, interpretei amor de uma forma restrita: o amor entre um homem e uma mulher. Hoje sinto que o amor que não é onipotente, não é onisciente e não se basta sozinho é o amor de forma ampla e irrestrita. E não só o amor. O amor, o carinho, o respeito, a amizade, o coleguismo, a lealdade. Nenhum sentimento se basta sozinho. A condição humana exige muito mais.


Hoje era pra ser um dia feliz, mas Larissa acabou o dia muito triste.

29 Junho 2008

O dia em que minha ficha caiu


Eu já sabia que este dia ia chegar. Eu sabia que isto ia acontecer. E confesso que achava que estava preparada para quando o dia chegasse. Tanto que nunca me preocupei com nada. Só esperei este dia chegar. E hoje ele chegou.


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Engraçado como a vida é, né? Acompanhei a vida do meu irmão bem de perto. Ele é rapa do tacho e eu fiquei em casa até casar. Além disso, são quinze anos de diferença. Era de se esperar que eu no mínimo percebesse que ele estava crescendo. Mas acreditam que eu não percebi? Quero dizer, eu vi que ele tava crescendo pra burro, dentro dos limites da genética, claro!! Aí eu vi que ele tava começando a ir pro shopping, queria ir ao cinema com os amigos, comer sanduba no Eddie’s; começou a se preocupar com a aparência, querer usar roupa bacana. Eu vi que as espinhas não apareceram, mas vieram uns cravinhos (eu e meus eufemismos!) que eu negocio pra tirar. “Só dez, Beto, dez cravos e eu juro que não encho seu saco mais.” E o coitado deixando. Vi que ele deu sorte da voz não afinar igual na piadinha do copo de leite e mais, deu sorte de ter um vozeirão. Aí um dia eu vi que o menino tava com cabelo no peito!! As pernas já estavam cabeludas tinha tempo. E como fica lindo meu irmão de terno, gente!! Pediu gravata emprestada pro meu marido outro dia. As festas de quinze anos tinham chegado. Enfim, eu vi meu irmãozinho virar um rapaz.

Só que eu esqueci que rapaz beija na boca, né?! Aí hoje eu tenho a notícia que o menino tá namorando!!! Como assim, tá namorando?!! Com ordem de quem? Quem deixou? Como assim?!! Pois é, assim mesmo. Aí fui procurar saber quem era a menina, né? Pelo menos saber como é a minha cunhadinha. Pois não é que a menina é gatinha?


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Hoje o horário do almoço deve ter sido um suplício pro meu irmão. Coloquem-se no lugar dele: você com dezesseis anos, primeira namorada assumida em casa, com mãe leonina e irmãs taurinas te metralhando de perguntas enquanto a comida do seu prato esfria? “Não faça com ninguém nada que você não queria que fizessem com suas irmãs.” “Não pode colocar chifre, hein, Beto? Ninguém é obrigado a namorar. Se não quer mais, termina, mas chifrar, não!” E o coitado ouvindo a ladainha e dizendo “já sei, já sei”. E bem humorado o menino!! Ainda bem. Mulher nenhuma agüenta homem mal humorado.


Larissa ficou meio em estado de choque ao saber que seu “irmãozinho” está namorando e admite que está achando bacana demais!!!

08 Junho 2008

A Falta que a Maturidade Faz


Estou com trinta e um anos. E nestes trinta e um anos aprendi muita coisa. E adquiri a capacidade de perceber as oportunidades que eu perdi ao longo da vida por imaturidade. Não me culpo, não me martirizo. Mas lamento algumas oportunidades as quais não aproveitei.

Atualmente, sonho em aprender duas coisas: tocar bandolim e costurar alfaiataria. Fico vendo pessoas tocando bandolim lindamente e me lembrando da minha infância. Vovô tocava bandolim. Vovô tocava muitos instrumentos musicais e todos ele tocava muito bem. Ele tinha este dom. Mas o que mais me encantava era o bandolim. Principalmente quando ele tocava a valsa que fez pra mim e que eu nem me lembro como ela é mais. Aí eu fico triste porque poderia ter pedido meu avô pra me ensinar a tocar bandolim, a ler partitura. E ele teria me ensinado com prazer. Além de eu ter aprendido a tocar meu bandolim, eu teria passado muito mais tempo com meu avô. E teria sido um tempo mágico. Mas eu nunca pedi. Eu nunca sequer manifestei minha vontade de aprender a tocar bandolim simplesmente porque esta vontade não existia. Eu não percebia que estava diante de uma oportunidade única. Mas também não podia perceber. Eu era criança. E meu avô não podia imaginar que eu no futuro poderia sonhar em aprender a tocar bandolim, ainda que isto custasse minhas longas e lindas unhas vermelhas.

A lembrança do bandolim inevitavelmente conduz à lembrança de meu avô e no tempo em que morávamos em Diamantina. Sinceramente, nem sei se nós morávamos lá, mas vivíamos lá. Isto é verdade. E eu me pego na lembrança de um quarto com uma mesa grande, pedaços de papel pardo, réguas, esquadros, lápis 2B e tesouras. Havia também linhas, agulhas, botões, aviamentos. Vovó costurava. Lembro-me de minha mãe contando que suas roupas eram feitas por vovó. Ou adaptadas. Houvera uma época em que meus avós passaram muitas dificuldades e as roupas eram sempre maiores, precisavam ser ajustadas, passavam dos mais velhos para os mais novos. Não vivemos mais esta realidade. A vida vem sendo cada vez mais generosa com minha família. Mas eu gostaria de fazer eu mesma as minhas roupas. Só que eu não pedi minha avó pra me ensinar a costurar... então ela não me ensinou. E agora não pode me ensinar mais. Meu avô também costurava. Mas não eram vestidos, eram ternos, calças, coletes. E para ele eu também não pedi. Enfim, eu poderia ter aprendido a costurar tudo que hoje eu gostaria de vestir. Mas eu não sei costurar. E não sei por que não pedi a meus avós para me ensinarem, embora tenha certeza de que eles o fariam com o maior carinho. Não é que eu não desse valor ao trabalho deles. Eu simplesmente não tinha condições, naquela época, de perceber a beleza daquele trabalho. Não tinha maturidade o suficiente para compreender que aprender a costurar seria muito mais que uma máquina de costura, tecidos, linhas e tesouras. Minha idade não permitia ver além, não permitia perceber o quão importante seria aquela convivência.

Enfim, a vida é assim. Não tive maturidade para aprender no momento em que a oportunidade batia à minha porta. Tenho certeza de que perdi momentos incríveis com pessoas queridas. Lastimo não ter tido esta percepção antes. Mas acredito que conseguir perceber estas coisas hoje já me faz uma pessoa melhor e me dá a certeza de que ainda perderei muitas outras oportunidades se eu não passar a dividir melhor meu tempo e a minha atenção. E esta certeza faz com que eu preste mais atenção em coisas que nem sempre são facilmente perceptíveis.


Larissa tem certeza de que ainda aprenderá a tocar bandolim e a costurar. E tem mais certeza ainda de que há muito o que se aprender, com pessoas queridas que estão muito mais próximas do que imagina.
(*) Este post é dedicado ao Marco, blogueiro assíduo, que tem sido uma espécie de muso rsrs